segunda-feira, novembro 4

NARCISISMO E REDES SOCIAIS: PROBLEMAS E REFLEXÕES















Falar de "Rede Sociais", há vinte anos atrás, era, praticamente, pensar em um monte de gente que tinha como mania trocar cartas... Hoje, esse conceito mudou muito. Há vinte anos, ainda, trocar cartas era algo bem saudável e recomendável por qualquer psicólogo. Hoje, falar de redes sociais, é alguma coisa bem preocupante e já há estudos sérios sobre os riscos e patologias provocadas por elas. As redes sociais, tanto há vinte anos atrás quanto hoje, podem ainda ser definidas como "grandes trocas de informação". 

Contudo, a diferença se perfaz na instrumentalidade de tal troca. As cartas eram mecanismos que imprimiam informações importantes e até sigilosas, entretanto, sua grande característica, era, de qualquer modo, a preservação existencial do remetente. Hoje, as redes sociais nos meios virtuais não são simplesmente mecanismos que substituíram as cartas, como os emails, mas elas simplesmente destruíram a ideia de espaço - e com ela, a de distância - bem como reconfigurou todos os modos da relação humana.

Um dos problemas atuais levantados pelos estudos sobre redes sociais é a questão do reforço do narcisismo. O fato de as pessoas quererem "se ver" nas mídias virtuais, é analogado ao antigo mito grego de Narciso e, com ele, todos os transtornos de personalidade. Contudo, essa busca frenética pelo "si mesmo", vivida por Narciso, é ainda mais preocupante nas manifestações das redes sociais. Ou seja, a manifestação de transtornos da personalidade - bem como as crises existências -  provocados ou desencadeados a partir da experiência narcísica nas redes sociais tem consequências ainda mais alarmantes. O fato é que, nas redes sociais, as pessoas não querem ou não só buscam "se ver", mas ainda, querem ver os outros e querem que os outros vejam aquilo que elas vêem. Há uma ampliação do querer se ver, na verdade. Isso significa que o complexo de Narciso, no mínimo, se inverteu: não é uma paixão por si mesmo, tal como sou refletido na água do meu ego, mas é uma construção do meu eu que quero que todos se apaixonem por ele, inclusive eu. Nas redes sociais, não há paixão por si mesmo, pura simplesmente, há, primeiramente, uma construção do ego a partir daquilo que eu e os outros poderiam se apaixonar. Daí, a crise de identidade e existencial se manifestam na certa, pois na hora de escolher qual dos egos eu quero existencialmente ser, o ego construído se sobressai e o virtual deixa sua virtus (realidade potencial) e se reifica, viral real. Contudo, os problemas enfrentados pela pessoa não advêm do virtual (do ego escolhido), mas do real (do ego negado), então, o que fazer?

Esse é um tema que me interessa discutir e ainda está em aberto, e que, portanto, gostaria de contribuições. Por isso, vou deixar um vídeo de uma entrevista que dei aos acadêmicos de jornalismo da UCDB, no programa Estúdio Livre, que começo a desenvolver esse tema. 

PS: Espero que ao final do vídeo vocês não acabem me internando por cair no meu próprio engodo, ou seja, que eu esteja já sofrendo uma espécie de narcisismo construído...


Um comentário:

  1. É esse mais um efeito colateral do legado científico da contemporaneidade, a tecnologia que permite a existência das redes sociais é herança desse saber. As ideias trazidas pelo vídeo não deixa dúvida da complexidade do tema, uma vez que se trata de fenônemo recente cujo efeitos na formação dessa geração, não estão devidamente reveladas. Não arriscaria aqui apresentar alguma receita para tais questões, mas acredito que outras áreas do conhecimento devem ser convocadas a se alinharem a filosofia e psicologia para dar conta dessa temática.

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