terça-feira, maio 6

RACISMO NUNCA MAIS! EXISTE UMA BASE BIOLÓGICA PARA A DISCRIMINAÇÃO?

Profa. Juliene C. do Nascimento

Profa. Juliene Cândida do Nascimento
Especialista em Educação a Distância pela PUC-RS
Licenciada em Biologia pela PUC-GO
Recentemente, casos de racismo relacionados com a prática esportiva estão estampados em capas de jornais e revistas do mundo todo. Fatos como o de Daniel Alves que foi alvo de uma atitude racista, quando recebeu uma banana, atirada por um torcedor, durante a partida de futebol realizada entre o Barcelona e o Vilarreal pelo campeonato espanhol; e o de Donald Sterling, dono do Los Angeles Clippers, (time tradicional de basquete da Califórnia), flagrado em uma conversa íntima com sua namorada, ao alegar que não gostaria que ela aparecesse em público com pessoas negras, tem tido grandes repercussões por parte da mídia.
Entretanto, somente repercutir não é suficiente! Eventos como estes e outros devem ser tratados como crime e essas mesmas pessoas devem ser responsabilizadas para que o sentimento de intolerância e impunidade não se enraízem em nosso cotidiano. De acordo com algumas fontes, o torcedor que jogou a banana em Daniel foi proibido, para sempre, de frequentar o estádio do clube e Donald Sterling terá de pagar multa e abandonar o cargo de presidente da equipe americana de basquete. Atitudes plausíveis, mas não suficientes para desconstruir e desmistificar atitudes racistas que, como essas, estão impregnadas em nossa sociedade.
Mas será que existe uma base biológica para a discriminação? Pesquisas genéticas recentes afirmam que não importam as características e os traços de cada um, como por exemplo, a fisionomia do rosto, a estatura, e, principalmente, a cor da pele. Mesmo havendo diferenças nos patrimônios genéticos, essas não são suficientes para uma classificação racial, como afirma o biólogo Alan Templeton especialista em evolução da Universidade Washington, de St. Louis, Missouri.
Para fazer tal afirmação, Templeton e sua equipe composta por cinco cientistas comparou mais de 8 mil amostras que foram colhidas aleatoriamente pelo mundo inteiro, inclusive de índios brasileiros. Essas amostras eram compostas de DNA mitocondrial (material genético herdado somente pelo lado materno),  cromossomo Y (herdado apenas pelo lado paterno) e o DNA contido no núcleo nas células do organismo (herdado dos dois sexos).
A análise sistemática dessas amostras, por meio de técnicas de biologia molecular, revelaram que as diferenças entre etnias (brancos europeus e negros africanos, por exemplo), são de apenas 15% ou bem menos que isso. Em termos genéticos, afirma Templetom "Um índice muito abaixo do nível usado para diferenciar raças dentro de qualquer espécie animal". E ainda enfatiza: "os humanos são a mais homogênea espécie que conhecemos". Outros estudos estão sendo realizados no mundo todo e corroboram com o estudo de Templetom, dentre eles, podemos citar o Projeto Genoma Humano.
Àqueles que acreditaram e torciam para a comprovação biológica da ideia de raças humanas se decepcionaram, pois a biologia mostrou-se ser mais uma uma importânte ferramenta para desconstruir esse pensamento imperialista, utilizado a tantos séculos para justificar a dominação de povos em detrimentos de outros. 

PS: Agradeço à Prof. Juliene, minha amada esposa, por disponibilizar seu artigo a este Blog. 
Editor.

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