segunda-feira, setembro 1

COMENTÁRIOS AO TEXTO a Metaphysical Freendom: Heidegger‟s Project of a Metaphysics of Dasein DE FRANCOIS JARAN. Parte I


Introdução

Jaran (2010) inicia seu artigo constatando que, assim que Heidegger terminou seu mais famoso texto – Sein und Zeit (SZ) –, uma mudança de perspectiva aí ocorreu. Essa mudança, efetivamente, diz respeito às indicações que Heidegger já havia feito sobre o conceito de “metafísica”, isso porque SZ é tradicionalmente visto como uma das obras da contemporaneidade mais irradiadoras tanto do processo crítico quanto do apontamento do insucesso da metafísica.

Antes mesmo da própria publicação de SZ, na preleção de inverno de 1926 e 27 Geschichte der Philosophie von Thomas v. Aquin bis Kant (GTK), conforme chama a atenção Jaran (2010), Heidegger refere-se a seu novo projeto – a ontologia fenomenológica – nos termos de uma “metafísica científica” e incluía sob esse mesmo conceito a sua tão problemática “questão do ser”. Essa identificação entre ontologia fundamental e “metafísica científica” é tida por Jaran (2010), na verdade, como a preparação de um projeto que, distinto de SZ, ocupou o filósofo no final da década de 20. Tal projeto foi denominado de “Metafísica do Dasein”.
A Metafísica do Dasein, explica Jaran (2010), é um projeto que, ao contrário dos propósitos da ontologia fundamental de SZ, busca compreender a questão do ser a partir da metafísica, i. é, é um esforço teórico de Heidegger de estabelecer “os fundamentos de uma nova metafísica”. Aqui, inexiste qualquer possibilidade de se pensar uma “superação” da metafísica, mas antes, uma restauração. Efetivamente, aí está a importância dos textos do final da década de 20 e início da década de 30. A leitura de Jaran (2010) sobre os textos desse período quer sustentar a seguinte tese: os textos que compõem a Metafísica do Dasein funcionam como o ponto de virada entre SZ e Beiträge zur Philosophie.Vom Ereignis (BP).


Segundo Jaran (2010), o movimento da Metafísica do Dasein deve ser lido de modo a considerar a centralidade do texto Von Wessen des Grund (WG), pois, segundo o comentador, as três seções de WG indicam o caminho que Heidegger traçou durante esse novo projeto metafísico, sobretudo na primeira e terceira seção. O próprio Heidegger, em uma fase posterior, como faz lembrar Jaran (2010), é quem oferece a pista para reler esse texto como o ponto de virada. Ademais, Jaran (2010) insiste que não se entende essa releitura sem antes compreender os impactos que o conceito de liberdade imprime na jornada metafísica do filósofo e na sua relação com a metafísica tradicional.

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