quarta-feira, setembro 24

IMPLICAÇÕES DAS COSMOVISÕES RELIGIOSAS NO ESPAÇO PÚBLICO (parte 01)


“De a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”

Introdução

              Este pequeno ensaio é uma tentativa de descrever, de modo crítico, as possibilidades tanto políticas quanto morais das cosmovisões religiosas no espaço público. Para tanto, utilizar-se-á das reflexões de John Rawls na sua obra Uma Teoria da Justiça e dos comentários de Habermas feitos à mesma como fios condutores. A tentativa – afirma-se deste modo pela exclusividade ensaística de tal intento – não pretende ser “totalitária”, ou mesmo, não objetiva um esgotamento do assunto, como se arroga qualquer texto de pretensão filosófica; pelo contrário, é trazer para o âmbito das reflexões, para o espaço que lhe cabe, algumas implicativas do mundo laico no uso público da “cosmovisão religiosa”.
É ainda um confronto entre Fenomenologia da Religião e Filosofia Política. Quer-se deixar bem claro, ademais, que se utiliza da mesma terminologia rawlsiana para tratar do mundo religioso, i.é, a “cosmovisão metafísica e religiosa”. Nem se pretende, por último, depois de discutido o caso, tomar algum partido por nenhuma postura, por considerar qualquer reflexão, aqui, muito preliminar.
Com efeito, a presente assertiva é, em instâncias últimas, duas grandes perguntas: O que, em termos de razoabilidade pública, pode e deve ser considerado, em um discurso político que represente significativamente as normatizações de um Estado de direito democrático, entre os preceitos normativos e os discursos éticos axiológicos paradigmáticos como das cosmovisões metafísico-religiosas? E por outro lado, quais são as concepções ético-axiológicas que podem ou devem nortear as condutas morais possíveis e conciliáveis, em termos de razoabilidade, para uma tolerância mínima, sem levar à baile o problema da validade da verdade entre as mesmas? Estas são as questões que norteiam tal ensaio, para que as discussões transitem do público ao privado e vice-versa, sem pretensões absolutistas, mas como procedimentos possíveis de uma discussão ecumênica.

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