quarta-feira, outubro 1

IMPLICAÇÕES DAS COSMOVISÕES RELIGIOSAS NO ESPAÇO PÚBLICO (parte final)


Considerações gerais

              Este ensaio se dedicou, muito mais do que explorar as possibilidades de um diálogo ecumênico, entrar numa problemática que cada vez mais é palco de discussão tanto em nível eclesial quanto em política. As inter-relações entre o propósito político e as manifestações religiosas são cada vez mais constantes. Neste, procurou-se trazer para o espaço público da reflexão, o discurso filosófico, as implicações religiosas nas questões públicas, a partir “da visão deles”, ou seja, tentando perceber em que sentido e em que grau o Estado e suas normas prescritivas, em reflexões atuais, estariam preocupados com o dialogo plural.
          As reflexões atuais de John Rawls e Habermas mostram que a toeria política está atenta à questão da pluralidade sociológica, principalmente da força que é a religião. E para tanto, percebem que para um diálogo possível, necessário é que haja um ponto de toque comum, que não poderia ser outro que a linguagem racional. Tanto a posição original quanto a razoabilidade são conceitos da filosofia política de Rawls que contribuem com substância para uma teoria da justiça e a formação da consciência política, principalmente por seus aspectos de liberdade e equidade. Não obstante, problemas visíveis são detectados quando o assunto é religião. Apesar de haver uma previsão deste diálogo na própria teoria, esta não é capaz de produzi um discurso equitativo que guarneça as implicações da fé, como foram apresentados durante o texto. Pelo contrário, há uma forte tendência para os aspectos racionais do diálogo obrigando aos demais grupos se adequarem.
              Por fim, por não ser de cunho exaustivo, mas de início de conversa, considera-se que, há ainda que avançar nas discussões ecumênicas neste aspecto. Principalmente, no que diz respeito de textos e conteúdos teóricos de uma filosofia da política escrita a partir da religião, ou seja, como pensar uma espécie de meio termo entre o Estado laico e o estado teocrático? Como acolher as cosmovisões religosas-metafisicas sem ferir nem as pretensões públicas, mas nem se abster da fé, mediante um discurso estritamente racional, como propõe a razoabilidade? O desafio está lançado.

REFERÊNCIAS

BETTO. Mística, fé e política. In: Agenda Latino-americana mundial. São Paulo: Ave Maria, 2007.

BOFF, Leonardo. Fé e Política. Como se relacionam. In: Agenda Latino-americana mundial. São Paulo: Ave Maria, 2007.

HABERMAS, Jürgen e RAWLS, John. Debate sobre el liberalismo político. Barcelona: Paidós, 1996.

KANT, Immanuel. Resposta à pergunta: Que é esclarecimento [Aufkärung]?. [Online]. Disponível em: http://www.ufsm.br/gpforma/2senafe/PDF/b47.pdf. Acesso: 02/08/2010.

RAWLS, John. Uma teoria da justiça. Trad. Almiro Pisetta e Lenita M. R. Esteves. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

ROSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. Trad. Rolando R. da Silva. [Online]. Disponível em: http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/contrato.pdf. Acesso: 01/04/2002.


SERNA, Eduardo de la. Política e Religião. In: Agenda Latino-americana mundial. São Paulo: Ave Maria, 2007. 

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