segunda-feira, fevereiro 23

O FUNDAMENTO TRINITÁRIO DA FILOSOFIA


Com certeza, Sócrates, Platão e Aristóteles podem ser tomados como pilares para o atual saber filosófico sistematizado. Isso porque, mesmo sabendo que a filosofia já tinha dado notícias muito antes desses “três mosqueteiros”, os problemas por eles enfrentados até hoje fazem parte do cotidiano filosófico. A filosofia, portanto, não se faz compreensível, sem antes, passar pela tríade mais famosa da Grécia antiga.

A imortalidade de Sócrates, Platão e Aristóteles no pensamento filosófico se configura, sobretudo, pela abertura dos problemas filosóficos fundamentais e pelo modo como suas propostas de soluções introduziram no pensamento modelos bem distintos de racionalidades. Nessa perspectiva, o estudo do mundo grego antigo, para o saber filosófico, não pode ser tomado como algo superado, ou ainda, enxergá-los apenas como um lugar na história da filosofia. Ao contrário, Sócrates, Platão e Aristóteles são tão atuais como qualquer saber contemporâneo.

A começar por Sócrates que no desenvolvimento de um estilo bem “sui generis”, – isto é, a maiêutica – com o propósito de indagar sobre conceitos fundamentais como “a justiça”, “o bem”, “a verdade”, mostra, ainda hoje, a importância e a necessidade da tematização conceitual. Toda construção filosófica é, em tese, uma discussão de temas ou questões conceituais. Sem essa precisão conceitual, o saber filosófico incorre em achismo e “meros devaneios tolos...”, como já cantara o poeta.

Platão, por sua vez, em seu ensejo dialógico pelo mais sublime ideal de universalidade, é constantemente retomado em qualquer princípio científico ou filosófico que se pretenda validamente verdadeiro. Todo filosofar que busca fundamentar o real necessita, de algum modo, por intermédio de uma linguagem dialógica, encetar princípios transcendentais que escapem do terreno fragmentário e particularizado da experiência. Ante a “dóxica” realidade, Platão se apresenta como o eterno eduador-filósofo que defende uma transformação das mentalidades tendo em vista o valor dos ideais e busca de causas perenes.

Por fim, Aristóteles é aquele que, valorizando a realidade material dos entes, sistematiza e organiza o real segundo categorias intrinsecamente presentes nos mesmos. Atualmente, o filosofar contemporâneo aprendeu, às duras penas, a dramaticidade da ausência de sistemas reguladores e de princípios que revelem uma ordem natural, engendrando relativismos, ceticismos e niilismos. Com o Estagirita, encontramos o valor de um saber sistêmico – sem, no entanto, cair em totalitarismos – norteado por axiomas de uma logicidade tal que re-signifique e reintegre o fragmentário pensamento contemporâneo em uma totalidade de sentido.

Como visto, foi sobre os “ombros desses gigantes” que a filosofia pode dizer o que hoje ela diz. Assim, revisitar Sócrates, Platão e Aristóteles não é simplesmente compreender seu valor historiográfico, senão é mergulhar no âmago do pensar filosófico, é entender as dimensões e os reais significados de um olhar filosófico sobre a realidade, é, na verdade, produzir o próprio filosofar. A charge acima, inspirada no famoso afresco rafaelino “Scuola di Atene”, é e continuará sendo a “musa inspiradora” de toda filosofia, no sentido de que esse afresco representa a força e a expressividade do fazer filosófico! 

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