terça-feira, maio 19

TRADUÇÃO DO AFORISMO II DO TEXTO SUPERAÇÃO DA METAFÍSICA DE HEIDEGGER


II

Die Metaphysik läßt sich nicht wie eine Ansicht abtun. Man kann sie keineswegs als eine nicht mehr geglaubte und vertretene Lehre hinter sich bringen. 

Daß der Mensch als animal rationale, d.h. jetzt als das arbeitende Lebewesen die Wüste der Verwüstung der Erde durchirren muß, könnte ein Zeichen dafür sein, daß die Metaphysik aus dem Sein selbst und die Überwindung der Metaphysik als Verwindung des Seins sich ereignet. Denn die Arbeit (vgl. Ernst Jünger, »Der Arbeiter« 1932) gelangt jetzt in den metaphysischen Rang  der unbedingten Vergegenständlichung alles Anwesenden, das im Willen zum Willen west. 

Steht es so, dann dürfen wir nicht wähnen, auf Grund einer Ahnung des Verendens der Metaphysik außerhalb ihrer zu stehen. Denn die überwundene Metaphysik verschwindet nicht. Sie kehrt gewandelt zurück und bleibt als der fortwaltende Unterschied des Seins zum Seienden in der Herrschaft. 

Untergang der Wahrheit des Seienden besagt: die Offenbarkeit des Seienden und nur des Seienden verliert die bisherige Einzigkeit ihres maßgebenden Anspruchs.


AFORISMO II

Não se deixa de lado a metafísica como [se faz com] uma opinião. De modo nenhum se pode trazê-la para trás como uma teoria não mais crida e representada.

Na condição de animal racional, o homem, i. é, agora como ser vivo trabalhador, pode vagar pelo[1] deserto da desolação da terra; em compensação pode ser um sinal que a metafísica aconteça em virtude do ser ele mesmo e a superação da metafísica em virtude da distorção[2] do ser. Pois o trabalho (cf. Ernst Jünger, O trabalhador, 1932) alcança agora, no ranque metafísico, a reificação incondicional de todo o presente, o querer do querer ocidental.

Sendo assim, então, não podemos imaginar estar, com base em uma intuição, o termo[3] da metafísica circunscrito a ele. Destarte, a metafísica [uma vez] superada, não desaparece. Ela volta transformada e permanece no poder como diferença do ser para o ente.

O ocaso da verdade dos entes diz: a manifestação dos entes e apenas dos entes perde até a presente data a primazia seu direito determinante.




[1] O termo “durchirren” é traduzido por Stambaugh para o inglês como: “wander through” e para o português pela Schuback como: “errar pelo”. Op
tamos por “vagar por”.
[2] Heidegger usa o termo “Ver-windung” como sentido essencial de “Über-windung”. O termo Überwindung é comumente traduzido por “superação”. Contudo, o verbo “winden”, literalmente significa “enrroscar-se”, “torcer” ou mesmo “contorcer-se”. Nesse caso, Überwindung significaria: “acima da torção”, pular o que está torcido. Com efeito, esse não é sentido que o filósofo quer dar à “Überwindung der Metaphysik, e sim o de Ver-windung que pode ser traduzido por “dis-torção” (tendo em conta a função de oposição que o prefixo ver- assume ligado a verbos reflexivos, como no caso do sich winden). Inwood, em seu dicionário de Heidegger, bem como Schuback, traduz Verwindug como “sustentação”; enquanto que a tradução inglesa traz o termo traduzido por “incorporation”. Seguindo a indicacao de Baleeiro, em seu artigo “Verwindung: a ideia de superação no pensamento de Vattimo” (p.41), optamos por traduzir por “distorção”.  
[3] O termo Ver-endens tem o mesmo sentido de Ver-endung (Cf. Aforismo I) e pode ser traduzido por “seu termo”.

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