quarta-feira, março 9

ANÁLISE DA OBRA FÉDON (67c - 70c)



Texto:
PlATÃO. Fédon. In: Diálogos / Platão; seleção de textos de José Américo Motta Pessanha ; tradução e notas de José Cavalcante de Souza, Jorge Paleikat e João Cruz Costa. São Paulo: Nova Cultural, 1973. — (Os pensadores)

4ª PARTE: A purificação/ A sobrevivência da alma[1]

DE CARÁTER INTERPRETATIVO

I) Segundo a lógica de Platão, faça um texto que reproduza o Primeiro Discurso Platônico, qual seja, “sobre o viver filosófico”

1. O primeiro discurso platônico tem como tema “o viver filosófico”. Esse tema é introduzido com uma primeira seção de discussão a respeito da “preferência pela morte”, como sinônimo de vida filosófica, distinta da opção pelo suicídio. Segundo Platão, o filósofo deve sempre ter uma visão positiva sobre a morte, pois ela é o grande desejo dele. Por conseguinte, esse desejo pela morte não implica necessariamente em assumir a defesa do suicídio, o que poderia parecer uma contradição se não fosse pela justificativa platônica de que suicidar é “desagradar aos deuses” e a preferência pela morte nada mais é do que “se colocar na busca de ir ao encontro dos deuses”.

2. Uma vez compreendido que o filósofo deve ter não só um apreço pela morte como também viver preparado para ela, é necessário compreender, então, o que é a morte e qual a sua importância para a filosofia. Tais questões, portanto, abrem a segunda seção de discussão desse discurso platônico. De início, Platão já oferece um conceito para a morte – a “separação do corpo e da alma”. Essa separação, com efeito, evidencia que existem duas realidades bem distintas que estão justapostas por razões acidentais. E sua separação traz mais benefícios que malefícios, já que do ponto de vista epistemológico, os sentidos são inexatos e o corpo atrapalha o raciocínio feito pela alma na busca pela verdade; e do ponto de vista ontológico, o corpo possui uma natureza decaída, carcerária e causadora dos males, não permitindo que se descubra a natureza mesma da verdade. Somente uma separação radical dessas duas realidades faria com que a alma, destinada à pureza, alcance a sabedoria, que é a verdade em si mesma. Nesse sentido, a solução para o problema epistemológico (como alcanço a verdade?) e ontológico (o que é a verdade?) está na morte, pois ela é a condição última para a sabedoria.

3. Por fim, a título de conclusão desse discurso, para alcançar a sabedoria depois da morte, é necessário que o filósofo prepare sua alma em vida, ou seja, acostume sua alma a se isolar do corpo, para que ela, ao morrer não se perca. Essa preparação, afirma o filósofo, se dá com a “purificação da alma”. A purificação é o processo moral de não deixar a alma ser enganada pelas influências prazerosas do corpo, tal como já foi previsto por aqueles que foram iniciados nos mistérios. Assim, tendo a certeza de onde se quer chegar (na sabedoria), e como chegar (pela purificação), a morte deixa de ser vista em sentido negativo, como fazem os vulgos, e passa a ser vista como uma condição epistêmico-moral do viver filosófico.
      
DE CARÁTER FILOSÓFICO

I) Quais são as justificativas platônicas de associar sabedoria e purificação?

Platão entende que tanto a busca pela sabedoria, vivida pelo filósofo, quanto a busca pela pureza, vivida pelos iniciados nos mistérios, possui a mesma estrutura: o afastamento da alma do corpo. Nesse sentido, há uma convergência entre o viver filosófico e a busca pela pureza que leva o filósofo a crer que não há vida filosófica desligada de uma vida moral, pois a sabedoria é o fundamento das virtudes e é ela mesma a grande virtude. Nos termos do filósofo “... talvez não seja em face da virtude um procedimento correto trocar assim prazeres por prazeres, sofrimentos por sofrimentos, um receio por receio, o maior pelo menor, tal como se se tratasse duma simples troca de moedas. Talvez, ao contrário, exista aqui apenas uma moeda de real valor e em troca da qual tudo o mais deva ser oferecido: a sabedoria! [...] a verdade nada mais seja do que uma certa purificação de todas essas paixões e seja a temperança, a justiça, a coragem; e o próprio pensamento outra coisa não seja do que um meio de purificação” (Fédon 69a, 13 – 69c, 3)

II) Quais são as justificativas platônicas de discutir a imortalidade da alma?

Em primeiro lugar, não há consenso entre os gregos sobre o destino da alma. E em segundo, ser imortal não é algo evidente, ou seja, é preciso demonstrar.




[1] Divisão feita pela Coleção os Pensadores edição de 1973.

0 comentários:

Postar um comentário