terça-feira, abril 12

A MOSTRAÇÃO FENOMENOLÓGICA DOS OBJETOS LÓGICOS E A QUESTÃO DA ACLARAÇÃO EPISTEMOLÓGICA DOS MESMOS



Este é um comentário ao Segundo Parágrafo da Introdução da Segunda Parte das Investigações Lógicas de Husserl.

Neste segundo parágrafo Husserl apresenta a mostração fenomenológica dos objetos da lógica, em outras palavras: o modo como os objetos lógicos aparecem para a consciência. E de início Husserl argumenta que os objetos lógicos, bem como qualquer coisa que se dá na consciência (como a verdade, as investigações teóricas, etc.), tudo está expresso em uma "expressão verbal". Esta, seja lá como se dá sua relação entre o pensar e o falar (necessário ou não) é como uma vestimenta para tudo aquilo que se dá, e não seria diferente com os objetos lógicos. Neste sentido, os objetos lógicos, como o representar, o julgar, o conhecer lógico, e os vários conceitos lógicos como proposição, lei, objeto, lógico, etc.,  estão em uma "unidade fenomenológica" com as expressões verbais.

O fato de tais conceitos (objetos) lógicos se darem, mediante as expressões verbais, em "vivências psíquicas", e por isto mesmo empíricas e singulares, não fazem delas os objetos da lógica. Ao lógico não interessa o ato do julgamento no sentido da vivência psíquica do juízo; nem também se pode prescindir deste dado concreto na hora de discernir os objetos lógicos; mas a necessidade de aclarar o significado idêntico do enunciado: "ato de julgar". O que Husserl quer dizer por "significado idêntico" é a apreensão da lei pura com evidência fundada na pura forma do pensar e não nos dados concretos das vivências. E para que estes significados idênticos dos conceitos, das ideias e das leis lógicas possam ser aclarados epistemologicamente em seus fundamentos e com evidência, é necessário uma análise fenomenológica.

Uma vez apresentado a mostração fenomenológica dos objetos lógicos e a necessidade de uma aclaração destes de modo que possam ser distintos epistemologicamente, Husserl apresenta a distinção entre a atitude natural e a análise fenomenológica e sua importância para os objetos lógicos. Todos os objetos lógicos tem por origem a intuição. Contudo, esta não deve ser analisada pela atitude natural que não consegue prescindir da experiência concreta. É necessário, portanto, uma análise fenomenológica. Com base nas diversas vivências, a análise executa uma "abstração ideatória", ou seja, um retrocesso às coisas mesmas, a evidência do que é dado (inquebrantável identidade). Este retrocesso não leva em consideração a concretude das vivências, mas seus diversos significados. Em outras palavras, a fenomenologia das vivências lógicas procura descrever as vivências psíquicas e seu sentido implícito para dar "significações fixas" a todos os conceitos lógicos. Estas significações fixas dizem respeito as conexões de essências entre intenção significativa e preenchimento significativo; e os significados noéticos. Para tanto ela separa os conceitos mesclados e suas modificações a fim de chegar à claridade das proposições lógicas.

Portanto, somente uma fenomenologia pura poderia superar o psicologismo, haja vista que sua finalidade é guardar a relação com a questão fundamental epistemológica, qual seja, a universalidade formal do conhecimento. Contudo, ainda sim fica implícito e problemático a relação das ideias lógicas e a pergunta pela manifestação do em si. 


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