terça-feira, abril 5

A NECESSIDADE DA INVESTIGAÇÃO FENOMENOLÓGICA COMO PREPARAÇÃO PARA A LÓGICA PURA



O texto que segue é um breve comentário ao um fragmento da obra Investigações Lógicas de Edmund Husserl. Este fragmento é o primeiro parágrafo da Introdução da segunda parte das Investigações Lógicas.

A "Lógica Pura" é, conforme o entendimento de Husserl, uma disciplina filosófica, não mais fundada nas matemáticas (intuição fregeana), que deve possuir uma "claridade filosófica". Esta, por sua vez, diz respeito à duas intelecções: [a] da essência dos modos cognoscitivos que entram em jogo nas proposições lógicas e lhas dá uma aplicação idealmente possível; e [b] dos atos atos que dão sentido e validade objetiva.

Para que esta lógica possa ser construída, é necessário um prévio estudo da linguagem. Contudo, um estudo da linguagem que se propõe a ser preparatório não deve referir-se às considerações gramaticais (empíricas) ligadas a um idioma historicamente dado. Pelo contrário, devem ser considerações da linguagem que pertençam à esfera de uma teoria do conhecimento e de uma fenomenologia pura das vivências do pensamento e do conhecimento.

Ora, e o que seria ou o que se esperaria de uma fenomenologia pura das vivências em geral, a fim de que ela seja uma consideração, em conexão com a linguagem, que preparasse uma lógica pura? Em primeira lugar ela se refere exclusivamente às vivências apreensíveis e analisáveis na intuição, à medida que estas sejam puras universalidades de essência. Deste modo não se refere às vivências apercebidas empiricamente como fatos reais. Em segundo ela deve expressar descritivamente, com expressão pura, em conceitos de essência e em enunciados regulares de essência, a essência apreendida diretamente na intuição essencial e as conexões fundadas puramente na dita essência. Em terceiro, deve descrever por meio de enunciados apriorísticos, nos quais estão inseridos em um terreno de investigações neutras, pelos quais fundam as raízes de diferentes ciências.

De modo especial, esta fenomenologia deve ser a base para fundar tanto uma psicologia empírica quanto uma lógica pura. No que se refere à primeira, ela, à medida que é um procedimento puro e intuitivo, analisa e descreve, em universalidade essencial, as vivências de representação, de juízo e do conhecimento. E quanto ao segundo, ela clareia as fontes pelas quais brotam os conceitos fundamentais e as leis ideias da lógica pura.  

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