terça-feira, setembro 26

O DEUS CADUCO E O DEUS GULOSO: BREVÍSSIMAS REFLEXÕES SOBRE METÁFORAS DE DEUS



Vivemos na "Era da Técnica" - dizem os filósofos. Celebramos ou maldizemos a pós-modernidade. Já nos preocupamos com pós-humanos e alienígenas... Porém, com tudo isto, ainda não desvendamos os segredos do coração do homem. Com tanta tecnologia, e coisas tão singelas, como "respeito" e "amor", ainda são insondáveis e se fazem, para o homem do terceiro milênio, seu maior desafio. Enquanto a complexidade é desvendada, o simples é ainda indecifrável.

Dentro deste simples está, sem sombra de dúvidas, o mistério que cada religião carrega. Toda religião é portadora de uma complexa rede de significações que toma a existência humana por inteiro e faz os mais céticos dos homens se curvarem diante de seus desidérios. Porém, os desafios com respeito a estes mistérios não estão apenas fora do âmbito religioso, com físicos e biólogos, mas também dentro da própria compreensão religiosa. Não apenas contra o ceticismo e o cientificismo que as religiões devem se preocupar, senão também com um mal ainda maior.... "a intolerância religiosa".

Homens de fé que pregam a paz são capazes de abandonar qualquer princípio religioso para afirmar, em cima de outro homem de fé e de paz, que a sua fé e a sua paz é melhor, única e verdadeira. A comunhão com o divino, de repente, se submete ao imperativo da guerra e do ódio em vista de poder destruir o outro. Agem como se o próprio Deus, que também age na crença dita herética, ficasse caduco, e se esquecesse que ele ele é onipresente, e pedisse que seus fieis matem quem não acredita naquele é causa de tudo. É o mal da caduquice divinaDeus se esquece que é onipresente e manda seus fiéis destruir, matar, odiar e repugnar qualquer manifestação dele mesmo que não está de acordo com ele mesmo. Como pode se afirmar a onipotência, onipresença e onisciência divina se se não reconhece isso na fé de outrem? Como pode Deus pedir a alguém que ofenda seus irmãos de fé apenas com justificativa de que é "diferente"?

Se Deus pode ser conceituado, não é o amor, a paternidade ou maternidade - tal como afiguram as metáforas teológico-evangélicas que define sua natureza absoluta. Muito menos o ser absoluto, a causa primeira, o motor imóvel, o ser da qual não se pode pensar outro maior - como propõem as ontologias escolásticas. Nem também o dever moral kantiano ou qualquer outra consideração já formulada. Se se quer realmente representar a Deus com uma metáfora baseada na práxis religiosa - a qual dizem fieis a ele - deve se eleger a gulodice. Todas as religiões (as grandes tradições orientais e ocidentais) tem uma relação fundamental com a refeição como símbolo máximo de encontro com a divindade. O Deus guloso se fez presente e todos podem estar com ele!

0 comentários:

Postar um comentário